Com o objetivo de combater a pobreza e a exclusão social, mas também aumentar a empregabilidade e o empreendedorismo no concelho de Torre de Moncorvo, o projeto CLDS Moncorvo 3G é promovido pela Santa Casa da Misericórdia e agrega um conjunto de atividades orientadas de acordo com três eixos. Fernando Gil, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Moncorvo, explica a importância do projeto e revela algumas das atividades desenvolvidas neste âmbito.

O Moncorvo 3G tem como principal objetivo promover a inclusão social da população local. Como surgiu a criação deste projeto?
Este projeto surgiu no âmbito do Portugal 2020 enquadrando-se nas necessidades refletidas no território e identificadas pelos parceiros sociais e pelo município. Tem como especial foco combater a pobreza e a exclusão social, garantindo maior proteção às crianças, jovens e idosos, e aumentar a empregabilidade e o empreendedorismo no concelho.

Quais as atividades específicas desenvolvidas neste contexto?
As atividades implementadas estão divididas em três eixos. O primeiro é vocacionado para medidas de estímulo ao emprego e empreendedorismo, valorização dos produtos endógenos e recuperação das artes e ofícios locais. No segundo eixo trabalha-se a qualificação das famílias, das pessoas portadoras de deficiência ou incapacidade e do voluntariado. Por fim, no terceiro eixo, vocacionamos atividades para o associativismo e para o combate à solidão e ao isolamento dos idosos.

Como avalia a recetividade da população local ao projeto Moncorvo 3G?
A população tem sido muito recetiva ao projeto e o feedback que nos dão é muito positivo. Neste momento já temos mais de 1400 destinatários participantes envolvidos no projeto.

Recentemente organizaram um atelier sobre amêndoa coberta, um dos produtos tradicionais da região. Qual a importância de apostar neste produto específico?
A Amêndoa Coberta de Moncorvo foi recentemente classificada como IGP pela União Europeia e é um ex-libris do concelho que valoriza um produto primário de elevada importância para a economia local, que é a amêndoa. É uma arte e ofício tradicional, de caráter manual e que necessitava de ser intervencionado de forma a contribuir para a qualificação de mais cobrideiras (tendo em conta que existiam apenas três pessoas a fazer esta atividade) e da passagem do saber-fazer. No total formamos 38 novas cobrideiras. As tradições devem sempre ser preservadas e mantidas e, por isso, gostaríamos de, em breve, fazer novas formações e workshops que possam valorizar artes e ofícios locais, como por exemplo o ferro.

Qual o valor da “proximidade” numa região marcada pelo envelhecimento e desertificação?
A proximidade é a grande palavra-chave de todas as atividades desenvolvidas pelo CLDS Moncorvo 3G. Fazemos sempre por ir de encontro às necessidades da população, por estar mais perto dos nossos idosos, sobretudo por lhes podermos facilitar o acesso aos serviços que possam contribuir para melhorar a sua qualidade de vida. A questão da proximidade é tanto mais importante quanto o facto de nos localizarmos numa zona com muitos idosos e com muitas pessoas que vivem descentralizadas.