ANPOC

Em 2016, Portugal teve de importar 90 por cento dos cereais necessários para consumo e, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a produção tem vindo a cair nos últimos 30 anos. José Palha, presidente da Associação Nacional dos Produtores de Cereais, Oleaginosas e Protaginosas (ANPOC), justifica a quebra na produção e analisa a importância da estratégia do governo para reverter esta tendência.

Segundo dados do INE, há 30 anos que Portugal não semeava tão pouca área de cereais: 130 mil hectares. Na sua opinião, o que justifica esta situação?
A área de cereais tem vindo gradualmente a perder expressão no nosso país. Essa situação tem a ver essencialmente com duas questões: o clima e os mercados. O clima mediterrânico que temos em Portugal, com cada vez mais frequentes fenómenos de seca, obviamente que influencia as produções. Este ano de 2017 é um exemplo claro dessa influência. Tivemos um mês de abril excecionalmente quente e sem qualquer pluviosidade o que, para o caso dos cereais, afeta diretamente o rendimento das plantas, porque é nessa altura que se dá o enchimento do grão e se faltar humidade nessa fase, esse enchimento não acontece nas melhores condições, provocando uma quebra nos rendimentos. Por outro lado, há que referir os mercados, uma vez que há já alguns anos que temos verificado uma tendência baixista nos preços das commodities [n.r. bens que não sofrem processos de alteração, como frutas, legumes, cereais e alguns metais] agrícolas, onde os cereais se incluem; no âmbito dos mercados, acrescento ainda o facto de a globalização nos obrigar a competir com outras partes do mundo com custos de produção mais baixos e com acesso a substâncias ativas para proteção das culturas que, na Europa, não são autorizadas, o que nos retira competitividade e torna o setor fragilizado.

Recentemente, o governo anunciou a intenção de definir uma estratégia para a recuperação da produção de cereais em Portugal. De que forma pode ser relançado este setor?
Nós achamos que o setor dos cereais é estratégico para o país, sendo estes produtos a base da alimentação humana e animal. Pensamos que o país não pode, de forma nenhuma, ser tão dependente do exterior e, neste momento, Portugal importa cerca de 90 por cento das suas necessidades em trigos moles e duros. O governo identificou o problema e estamos neste momento a trabalhar com o Gabinete de Planeamento no sentido de definir as linhas de ação. Muito se pode fazer. Como disse antes, os fenómenos extremos de seca são cada vez mais frequentes, é necessário definir uma estratégia de mitigação dos efeitos das alterações climáticas. Na nossa opinião, passa sobretudo por aumentar o armazenamento de água no sul do país. É verdade que Alqueva vai regar 170 mil hectares, mas o Alentejo são dois milhões. Logo, achamos que deverá ser apoiada a construção de charcas e barragens privadas, quer através do PDR, quer aligeirando o processo burocrático de autorizações para que, em anos como este, não seja tão evidente o efeito da seca. Temos noção de que não é possível tornar todo o Alentejo de regadio, mas é razoável, numa lógica de apoiar as culturas em caso de necessidade, como um sequeiro melhorado, além de também promover a biodiversidade, dando de beber a toda a fauna. Pode passar também pela PAC pós-2020, que neste momento ainda está numa fase inicial da negociação.

CALSEG

A CALSEG iniciou a sua atividade há mais de 10 anos com a implementação e acompanhamento de sistemas de qualidade e a representação do Laboratório Italiano Neotron SpA em Portugal, Espanha e Brasil.

Hoje em dia, conta com uma estrutura, acreditada pelo IPAC segundo a Norma NP EN ISO/IEC 17025, para a realização de ensaios e amostragem nos portos de mar, silos, armazéns e indústria na manipulação, movimentação e transporte de produtos agroalimentares. Tem técnicos especializados para a execução de ensaios e amostragens que podem ser a cereais para a alimentação humana – de acordo com a Norma ISO 24333/2009 ou Metodologia GAFTA – e a outras matérias-primas para a indústria de alimentos compostos para animais – de acordo com o Regulamento UE N. 691/2013 ou Metodologia GAFTA.

De modo a fechar o ciclo de atividade, a CALSEG faz também o controlo de qualidade a produtos agroalimentares através de ensaios físico-químicos qualitativos ou a contaminantes no seu laboratório interno ou no laboratório da sua representada NEOTRON. Muitos destes ensaios são igualmente acreditados, destacando-se o ensaio de identificação e quantificação de impurezas em cereais e outros específicos do setor.