O projeto TRUE – Percursos de Transição Para Sistemas de Produção Sustentáveis Baseados nas Leguminosas na Europa – corresponde a um consórcio com 10 países europeus onde se pretende explorar as potencialidades das leguminosas, explica Marta Vasconcelos, investigadora da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica.

No projeto TRUE, 24 parceiros juntaram-se para explorar e desenvolver sistemas agrícolas e agropecuários sustentáveis baseados nas leguminosas. O que se pretende com este projeto?
O projeto TRUE não pretende promover nenhum tipo de dieta, seja vegetariana ou vegana. A ideia é potenciar uma dieta demetariana, ou seja, que continuemos a consumir carne, mas nas quantidades e proporções adequadas, privilegiando as leguminosas. Para nós, esta seria a situação ideal por dois motivos: o consumo de carne tem uma pegada ambiental muito grande e as leguminosas contêm o equilíbrio nutricional necessário para fornecer aminoácidos essenciais à nossa dieta.

Quais as potencialidades das leguminosas em termos nutricionais?
Ainda temos um longo caminho a percorrer até que consideremos as leguminosas tão interessantes como qualquer outra proteína. Todas as leguminosas são bastante completas nutricionalmente e há algumas com teores lípidos elevados, como por exemplo a soja, que é importante para a extração de óleo, mas também é rica em proteína e é um bom substituto da carne. O problema da soja em Portugal é que é praticamente toda importada, porque não há produção em quantidade suficiente. Existem também leguminosas que passam mais despercebidas, como o amendoim, que tem boa utilização na extração do óleo. Mas, quase todas as leguminosas têm um bom equilíbrio nutricional e existe muita variedade.

As leguminosas não são ainda uma prática agrícola comum na Europa. Quais as suas vantagens em termos agropecuários?
Uma vez que as leguminosas são capazes de captar o azoto atmosférico, enriquecem o solo com azoto, ou seja, a sua implementação na produção agrícola diminui a necessidade de utilização de fertilizantes químicos. Sem dúvida que todos os produtores deviam considerar a hipótese de integrar leguminosas nas suas culturas. É algo que já é feito a nível europeu e em Portugal, mas não na escala necessária, uma vez que existem muitas barreiras, sendo uma delas o facto de não existirem unidades de transformação e processamento em Portugal.