Daniela Costa e Rita Santos são as responsáveis por um projeto que utiliza subprodutos das indústrias queijeira e hortofrutícola para produzir as ecobebidas Toal. Este projeto, que surgiu no âmbito de um mestrado em Segurança Alimentar, usa o soro de leite e morangos que não podem ser comercializados em bebidas proteicas e energéticas, explicam as jovens empreendedoras.

Qual o ponto de partida para a criação deste projeto?
Tudo começou com um desafio lançado no âmbito do Mestrado em Segurança Alimentar da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra para a participação no prémio Ecotrophelia Portugal,2017 promovido pela PortugalFoods.

Em que consiste a gama de produtos da marca Toal?
A marca compromete-se utilizar subprodutos das indústrias queijeira e hortofrutícola, produzindo duas ecobebidas “Toal Proteína” e “Toal Energia”. Estes produtos são o soro de leite sobrante da manufatura do queijo, bem como morangos cujo calibre e aspeto não correspondem àquilo que é exigido para a venda ao retalho, o que contribui para o aumento do desperdício alimentar. Quanto ao aproveitamento do soro, impede-se que este entre na rede de águas e/ou que seja libertado para o solo, evitando o risco de contaminação, uma vez que, é altamente bioacumulável e poluente. Desta forma, a marca Toal Ecobebidas contribui para a sustentabilidade alimentar aliada à inovação. As bebidas diferem no caráter mais proteico ou mais energético e têm em comum o sabor a morango e os seus antioxidantes naturais, carga probiótica, baixa percentagem de gordura, isentas de lactose e glúten. Assim, são adaptadas a todos, incluindo a celíacos, intolerantes à lactose, vegetarianos e flexitarianos.

Quais os principais desafios que encontraram no desenvolvimento desta investigação?
Para o desenvolvimento do nosso projeto os dois fatores que têm contribuído de forma menos positiva são a obtenção de financiamento, uma vez que ambas somos estudantes e não detemos rendimentos e o facto de sermos muito jovens, porque por vezes sentimos que não olham para nós com a devida seriedade. Um outro grande obstáculo prende-se com a nossa formação. No mundo do empreendedorismo são muitas vezes necessários conhecimentos de base económico-financeira e como mestrandas na área da saúde por vezes sentimos dificuldades.

Qual a fase em que se encontram neste momento?
Presentemente encontramo-nos incubadas no HIESE, em Penela, um braço do Instituto Pedro Nunes (IPN), onde estamos a dar os primeiros passos para a constituição de uma start-up. Para além disso, estamos em contacto com empresários da indústria queijeira cujo interesse pelo nosso projeto pode resultar em possíveis parcerias.