Paulo Tuna era escultor, artista, plástico e técnico de oficinas até ao dia em que o fabrico de facas se atravessou na sua vida. A qualidade das lâminas e facas de Paulo já mereceu o reconhecimento de diversos chefs e tem uma das suas criações a ser usada no melhor restaurante do mundo, em Copenhaga.

O percurso de Paulo como forjador começou quando tinha apenas oito anos e recebeu do avô uma pequena navalha. “Uma oferta impensável nos dias de hoje para uma criança com oito anos, mas naquele tempo era sinónimo de confiança e maturidade”, conta-nos Paulo. O interesse pela alquimia de aço começou após o percurso como artista plástico, pela sua necessidade de fazer ferramentas para a escultura, uma das suas outras paixões. Foi esta vontade que o levou até um cutileiro, onde iniciou todo o processo que terminou na criação da sua própria marca.

“Tudo começou com a encomenda que tive para o restaurante Noma e aos poucos as encomendas foram crescendo”, explica Paulo Tuna. Foi em 2012 que surgiu a mudança de vida, quando deixou a carreira de professor de artes plásticas para se dedicar a ser um “forjador de lâminas”, ou the bladesmith, como é habitualmente conhecido, um estrangeirismo que adotou como sendo a palavra que melhor define a sua atividade profissional.

As facas que saem das mãos de Paulo são peças únicas e artesanais, com acabamentos manuais, feitas com aços topo de gama e madeira natural e podem ser usadas para vários fins. Paulo segue as mesmas diretrizes que seguia na escultura, criando assim peças únicas e irrepetíveis, uma vez que não usa moldes de facas e são todas totalmente personalizáveis aquando da encomenda.

As criações de Paulo Tuna já voam pela Europa, mas é de Portugal que surge a maioria das encomendas. Atualmente, o melhor restaurante do mundo, o Noma, em Copenhaga, utiliza na sua cozinha centenas de facas com a assinatura do forjador português.

The Bladesmith produz facas de cozinha, mas pretende criar um canivete de bolso para produção semi-artesanal.