Fundada em 2011 por um grupo de mulheres da vila de Soza, em Vagos, a Confraria dos Sabores da Abóbora de Soza garante a preservação das tradições da freguesia e a promoção de um fruto que, de acordo com Fátima Rito, chanceler-mor da Confraria, é um verdadeiro “cocktail de benefícios”.

Quais as características da abóbora desta região e quais as suas utilizações?
A abóbora mais utilizada nesta região era a “Abóbora Machada”, para o alimento dos animais, e a “Abóbora-menina”, a mais utilizada na cozinha. A abóbora, então, era apenas usada em doces tradicionais de Natal e/ou compotas. Atualmente, já são cultivadas outras variedades, como por exemplo a “Musquee de Provence”, ou vulgarmente conhecida por “Abóbora Francesa”, assim como a “Abóbora Butternut”, conhecida como “Abóbora Manteiga”, sendo esta última de fácil preparação e muito saborosa. Devido às suas propriedades nutricionais e medicinais, a abóbora é rica em suplementos multivitamínicos, logo, não há suplemento que vença a abóbora. As abóboras são também ricas em betacaroteno, substância que previne o cancro, derrames, cataratas e problemas cardíacos. Com boa quantidade de vitamina C e potássio, cálcio e fósforo, vitaminas do complexo B e quase nenhuma gordura, são um verdadeiro cocktail de benefícios.

O que esteve na origem da criação da Confraria dos Sabores da Abóbora de Soza, em 2011?
Existe na vila de Soza uma tradição pelas festas em honra do Mártir S. Sebastião, a 20 de janeiro, em que, depois das novenas rezadas/cantadas, nove dias antes da festa e no último dia no final da nona novena, são confecionadas papas de abóbora pelas esposas dos membros da comissão de festas e as mesmas servidas a toda a população. Assim, um grupo constituído apenas por mulheres, juntou-se e decidiu formar uma confraria que preservasse as tradições desta freguesia e promovesse este fruto.

Como se caracteriza o traje identitário da Confraria?
Preto pelas cores da terra e debrum laranja pelas cores da abóbora. O chapéu tem a forma daqueles que eram mais utilizados em anos anteriores nesta zona. A insígnia, por sua vez, apresenta uma abóbora dentro de um tacho de cobre, uma vez que, outrora, as papas eram confecionadas em tachos de cobre, algo que atualmente não é permitido.