Com origem medieval, a Fogaça da Feira é o símbolo gastronómico da Terra de Santa Maria e representa o voto divino ao Mártir São Sebastião. Criada em 2002, a Confraria da Fogaça da Feira visa a promoção do estudo, defesa e divulgação deste pão doce, explica Joaquim Gonçalves, mestre da Confraria.

Qual o passado histórico associado à Fogaça da Feira?

A Fogaça da Feira transformou-se, no início do século XVI, em voto divino dedicado ao santo da devoção popular, tendo adquirido um simbolismo social, religioso e cultural. Em 1505 o país foi fustigado pela peste. O desespero levou os Condes da Feira a apelar ao Mártir São Sebastião para que acabasse com o morticínio do povo, prometendo-lhes a realização de uma festa anual onde o “voto” seria a fogaça. Assim surgiu a maior festa religiosa deste município, a Festa das Fogaceiras, realizada a 20 de janeiro. Anos mais tarde, a festa foi suspensa. Reatou-se a tradição por volta de 1753, ano em que o Infante D. Pedro determinou à Câmara Municipal que assumisse a sua realização. Em 1758 a fogaça teria o mesmo formato de hoje: a representação do castelo de Santa Maria com as quatro torres. O voto foi cumprido pela Câmara Municipal até 1910, altura em que a festa passou a ser realizada por autoridades civis e pela Santa Casa da Misericórdia. No dia 15 de julho de 1939 a Câmara Municipal retomou a responsabilidade de realização da festa, decisão que se mantém até hoje.

Como se caracteriza o traje da Confraria?

A fogaça é um símbolo centenário das Terras de Santa Maria. O traje é constituído por uma capa de inspiração quinhentista. O uso de brocado dá-lhe um toque de nobreza, concedendo-lhe a sua imponência protocolar. O gorro, inspirado na forma da fogaça, é o complemento-chave desta indumentária. Se, por um lado, permite a identificação dos confrades, por outro irá conter os elementos de distinção hierárquica – através do jogo cromático das cintas. A cor foi escolhida para simbolizar os tons da fogaça. As insígnias têm a forma de Escudo, com o Brazão dos Pereiras, em corte vertical, na metade esquerda; no quartel inferior direito, o Castelo, símbolo da Terra de Santa Maria; no quartel superior direito, o forno e, em movimento giratório, a fogaça, que simboliza a partilha.