De uma árvore trazida pelos árabes para a Península Ibérica nasce um fruto que já tem utilizações na indústria cosmética e alimentar. A alfarroba, explica Pedro Correia, docente da Universidade do Algarve e presidente da Associação Interprofissional para a Produção e Valorização da Alfarroba (AIDA), tem sido o foco de inúmeras investigações científicas e a exportação representa já 12 milhões de euros na economia algarvia.

Como se caracteriza a alfarrobeira?
A alfarrobeira é pertencente à família das leguminosas e assume-se como uma árvore de grande porte que pode atingir 10 ou mais metros de altura, tem uma elevada longevidade e é de folha perene. Esta é uma árvore que foi introduzida pelos árabes na Península Ibérica e se foi expandindo pelo Algarve, sendo característica da paisagem e da produção agrícola.

Quais as condições existentes no Algarve que permitem a existência desta espécie?
A alfarrobeira é bem-sucedida em diferentes tipos de solo, mas o elemento fundamental é o clima. A árvore adapta-se a climas quentes e invernos moderados e o clima algarvio é favorável à propagação e fixação da espécie. A distribuição da alfarrobeira pelo Algarve foca-se essencialmente no barrocal, apesar de também já existirem muitas plantações na serra. Do sotavento até meio do território algarvio e um pouco do barlavento é frequente encontrar esta cultura. Apenas nos concelhos mais próximos da costa ocidental, como Vila do Bispo, Aljezur e Sagres, a distribuição é menor, dado o clima. Por isso, um pouco por todo o Algarve é possível encontrar esta espécie.

Quais as utilizações da alfarroba?
O fruto da alfarrobeira sempre foi utilizado para alimentação animal. Contudo, nos últimos anos percebeu-se que a vagem, quer a polpa quer a semente, tem múltiplas utilizações. Se, inicialmente, era apenas utilizada para a alimentação animal, nos últimos anos temos assistido a muitas mudanças. Nos anos 40 e 50 começou a processar-se a semente para utilização em cosméticos e gelados e mais tarde surgiu o aproveitamento da polpa. No caso da polpa, a sua principal característica é a riqueza em açúcares e a sua transformação em farinha é uma alternativa saudável para ser utilizada em pão e barras energéticas, por exemplo. Atualmente já há várias empresas a explorar o açúcar da alfarroba como uma alternativa mais saudável. A semente tem uma rica composição ao nível dos polissacáridos, o que faz com que possa ser utilizada como espessante na indústria alimentar humana e na indústria cosmética. A alfarroba tem conquistado um espaço cada vez mais importante.

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