AGAVI

A 7 de outubro de 2010 foi fundada a AGAVI, com vista a promover a gastronomia, vinhos e produtos portugueses, bem como o desenvolvimento regional e a biodiversidade. António de Souza-Cardoso, presidente do Conselho de Administração, revela quais as potencialidades da gastronomia portuguesa e a importância da celebração do Dia Nacional da Gastronomia.

A AGAVI foi constituída em 2010. O que esteve na origem da sua criação?

O núcleo fundador da AGAVI tem uma forte experiência associativa e sentimos que, muitas das associações existentes, não sendo associações do sector agroalimentar, desenvolviam programas, iniciativas e eventos associados a esse sector. Em tempos, a ANJE iniciou o desenvolvimento do projeto “Portugal à Mesa”, a AEP lançou a iniciativa “Compre o que é nosso”. Consideramos que podia ser útil desenvolver uma plataforma de encontro destas associações que, não estando integradas no sector, tinham preocupações a ele ligadas. Nessa altura, em 2010, perspetivamos que a gastronomia e os vinhos teriam uma importância e interesse crescente para o desenvolvimento do tecido económico, o que se veio a confirmar. A motivação principal foi encontrar sinergias que permitissem que várias associações estabelecessem programas mais amplos de promoção da gastronomia e dos vinhos.

Quais as potencialidades da gastronomia, dos vinhos e dos produtos portugueses no mercado internacional?

Sentimos uma dificuldade enorme que está associada à imensa riqueza e diversidade do nosso receituário e gastronomia. Seria relativamente simples divulgar a gastronomia portuguesa se apenas tivéssemos como prato identitário o ceviche, o sushi ou pizzas e massas. É evidente que esta diversidade de boa gastronomia tem um elevado potencial mas, para o plano de internacionalização, isto é uma dificuldade, pelo facto de não podermos associar a gastronomia portuguesa apenas a um prato. Acima de tudo, devemos afirmar que temos um dos mais antigos receituários do mundo, somos a representação atlântica da dieta mediterrânica e devemos enaltecer a nossa diversidade, adequando a internacionalização da gastronomia e dos produtos aos países de destino. Para esta promoção é importante fazer valer a nossa história, as tradições e as características únicas de que dispomos.

Celebrou-se no dia 29 de maio o 1º Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa. Qual a importância da sua instituição?

Considero que a instituição do Dia Nacional da Gastronomia representa a consagração da importância do significado da gastronomia. Em Portugal temos o privilégio de ter um conjunto de condimentos que fazem com que a gastronomia seja o nosso minério, funcionando como alavanca para o turismo. Desta forma, considero que faz todo o sentido que Portugal comemore o Dia Nacional da Gastronomia, tendo também em consideração que a gastronomia tem uma vertente festiva. É importante manter a identidade da gastronomia portuguesa, garantindo que as gerações futuras conhecem o seu património e as tradições. Sem dúvida que a gastronomia nos faz mais felizes e, por isso, deve ser celebrada todos os dias.

“Não me lixes” é a mais recente campanha da AGAVI. Quais as suas características e qual a importância de promover o não-desperdício?

Se gostamos muito de comer, também temos de ter muita preocupação por quem não o pode fazer. Por isso, quisemos lançar um grito de alerta no Ano Nacional e Internacional de Luta contra o Desperdício Alimentar que relembre as 365 mil pessoas que diariamente passam fome em Portugal. O desperdício é uma questão que está segmentada entre a produção, distribuição e o consumo. Como é uma questão cultural e geracional, é necessária uma campanha ampla e provocatória, daí o nome escolhido. Pretendemos atuar junto da distribuição, do consumo e ao nível da restauração com o objetivo de apenas pararmos quando deixar de existir uma única pessoa com fome diariamente.